17 de jun de 2010

TRABALHO COMPLETO


O registro da libertação do endemoninhado gadareno ou geraseno é registrado nos 3 evangelhos sinóticos. Em Lucas e Marcos lemos que era um só endemoninhado enquanto que Mateus declara que eram dois. Não é uma contradição e sim uma simplificação dos dois evangelistas citados primeiro. O foco não era a quantidade dos libertos mas a libertação em si e suas implicações.
No verso 27 de Lucas 8 lemos: "Logo que saltou em terra, saiu-lhe ao encontro um homem da cidade, possesso de demônios, que havia muito tempo não vestia roupa, nem morava em casa, mas no sepulcro".
Meditando neste texto, encontro uma vida destruída completamente:
Na auto-estima (andar despido).
Nos relacionamentos familiares (não vivendo em casa).
No relacionamento com a sociedade, inter-pessoais (vivia no cemitério).
Ainda que muitos focam a legião dos demônios, os porcos e a reação do povo daquela terra ante o acontecido, preciso focar a vida daquele homem ou homens, sua tranformação total.
O muito tempo que encontro no verso 27 mostra a tragédia pessoal, familiar e social que foi desfeita pelo Mestre Amado.
Como declarou o Pr. Altair Germano:
Sem nome, sem uma origem familiar definida, o endemoninhado gadareno é um exemplo claro da grande misericórdia de Deus, que promove libertação, restauração e salvação.
Assim como qualquer um, supomos que o gadareno nasceu e cresceu numa família, em condições normais, onde na medida do possível recebeu o melhor de seus pais.
Por razões que desconhecemos, se já casado e com filhos ou não, em algum momento da sua vida, espíritos imundos invadiram, se apropriaram, subjugaram, dominaram, escravizaram, controlaram, aprisionaram a sua mente e o seu corpo, fazendo com que perdesse a capacidade, cognitiva, emotiva, sensitiva, perceptiva e psicomotora.
Aquele homem, debaixo do jugo de poderosas forças demoníacas, não conseguia viver mais em sociedade, visto o poder destrutivo e a grande agressividade com que aterrorizava seus familiares, parentes, amigos e a comunidade como um todo.
Como solução para o problema aparentemente insolúvel, tentaram lhe prender com grilhões e correntes de ferro, que por ele eram quebrados e despedaçados.
De calamidade em calamidade, de miséria em miséria, de desgraça em desgraça, o homem acabou por viver entre os sepulcros e nos montes, andando e clamando, de noite e de dia, sem destino, sem sentido, sem querer, sem saber, sem pensar, sem sentir, sem chorar, sem sorrir, sem viver. É verdade que não podemos espiritualizar todas as tragicidades da vida, mas, é verdade também, que não podemos apenas racionalizá-las. Aqui, temos um caso clássico de forças espirituais trabalhando para a plena destruição de um indivíduo.
O tempo, se pouco ou muito, se passou. Num certo final de tarde, numa região geograficamente oposta, na outra margem do Mar da Galiléia, Jesus, de forma súbita, manifesta aos seus discípulos o desejo de ir à terra do gerasenos (gadarenos). Após despedir a multidão, os discípulos o levaram ao barco, e partiram seguidos por outras embarcações.
Após enfrentar uma grande tempestade, vencida pelo poder da palavra daquele que criou os céus e a terra, controlador e dominador das forças da natureza, os navegantes alcançam o seu destino. Jesus chega na terra dos gerasenos (gadarenos), na região de Decápolis.
Após desembarcar, algo de surpreendente acontece. Dos sepulcros, ou das montanhas, sob o controle dos demônios, aquele corpo começa a caminhar em direção ao local onde Jesus estava. É preciso lembrar, que todas as intenções e ações do homem gadareno estavam à mercê daqueles espíritos imundos que o possuíam.
O mais espantoso ainda aconteceria. Jesus, no qual habita toda a plenitude de Deus, com o seu poder, de alguma forma, fez com que não apenas os demônios, através do corpo do gadareno fossem ao seu encontro, mas, diz a Bíblia, que ao avistar Jesus de longe, correu e o adorou. Sim, os demônios não tiveram alternativa alguma, a não ser, reconhecer a grandeza, o poder e a autoridade de Jesus, prostrando-se aos seus pés.
- Sai dele Espírito Imundo! Exclamou o Senhor, movido por compaixão. Mesmo impondo alguma resistência, os demônios, que se revelaram como “Legião”, visto que eram muitos, obedeceram a sua ordem.
No verso 15 algo de magnífico aconteceu. A auto-estima do homem foi restaurada. Imediatamente, o gadareno retomou a consciência, a cognição, a emoção, os sentidos, a percepção, o controle psicomotor, o “perfeito” juízo. Sentiu o vento tocar-lhe a pele, o cheiro de mar e de terra. Contemplou o azul do céu, o verde das árvores, o colorido das flores. Foi vestido, sentou-se. Passou não apenas a perceber as coisas, mas, acima de tudo, a ter uma percepção de vida, um paradigma, uma cosmovisão, como jamais tivera. Passou a ver e a compreender o sentido de sua existência com as lentes do Espírito, e com a mente de Cristo. Surpreendeu-se com o olhar de ternura, com o semblante meigo, com os cuidados e com a atenção que lhe devotou um homem que jamais havia conhecido.
Jesus o amou. Movido por este amor, empreendeu esforços e sacrifício, indo ao encontro do gadareno, transformando radicalmente a sua realidade, o seu estado, intervindo em sua história, restaurando-lhe a dignidade, a respeitabilidade, a sociabilidade e a felicidade.

No verso 19, o relacionamento familiar restaurado e no verso 20 os relacionamentos inter-pessoais restaurados. Volta para a família. Ele voltou. E não se contentando, saiu a anunciar na região a grande libertação e o grande libertador.
Paz!






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