11 de jun de 2010

DO ELOGIO AO ÓDIO


Hoje pela manhã, meditando em Lc. 4, fiquei intrigado com a mudança de atitude dos ouvintes de Jesus na sinagoga de Nazaré.

No verso 22, está escrito que "todos começaram a elogiar Jesus, admirados com a sua maneira agradável e simpática de falar, e diziam; Ele não é o filho de José?".

Já no verso 28, leio que todos que estavam na sinagoga ficaram com muita raiva e tentaram matar o Senhor Jesus.

O contexto diz que foi por causa de Jesus ter declarado que nem todos seria abençoados e curados. Ele deu o exemplo da viúva de Sarepta e Naamã.

Um olhar superficial não explica tamanha reação contrária, mas observando melhor a resposta de Jesus a pergunta se ele não era o "filho de José", me mostra o porquê da reação irada do povo.

Tanto a viúva quanto Naamã não eram judeus. Jesus estava dando a entender que Deus ama e cuida também dos outros povos. Isso era uma "afronta" ao nacionalismo e exclusivismo judaico, principalmente numa época tão difícil como aquela.

Os "filhos de Abraão" sempre se acharam os "queridinhos" de Deus. Mais do que isso, eles se achavam os "únicos" merecedores das bençãos divinas.

A sinagoga era um reduto nacionalista muito forte na sociedade judaica e os fariseus ferrenhos adversários dos estrangeiros principalmente em questões de religião e fé.

Jesus mudou de "simpático" para "ultrajante", de "agradável" para "digno de morte".

Jesus lhes conhecia o coração e sabia que eles estavam querendo testá-lo, avaliá-lo e não servi-lo, amá-lo. O "filho de José" falava bonito, mas daí a ser "Filho de Deus, o Messias", pera aí, vamos avaliá-lo.

Bom, não é muito diferente dos dias de hoje. Muitos querem "ver para crer". Muitos querem primeiro "experimentar" para depois aceitar e, depois rejeitam com a maior naturalidade ou facilidade.

Outra coisa que observei é o sentimento de muitos "cristãos" de exclusividade ou "merecimento" por serviços prestados.

Porque não eu, perguntam um tanto ultrajados com as bençãos alheias, principalmente que o "abençoado" for aquele "pecador" sempre chorando aos "pés" do Senhor.

É algo para se pensar.

Paz!

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