27 de jul de 2010

GORDURA ESPIRITUAL

"Excesso" é algo que está sobrando, ocupando um espaço, consumindo uma atenção ou uma demanda de energia que não deveria. Excesso é uma "desnecessidade".
É claro que o corpo humano, na sua perfeição divina, necessita ter um percentual do peso ideal como massa gorda. São 15% no caso de homens adultos, e 22% no caso de mulheres adultas. Este percentual ideal de gordura corporal cumpre papéis importantes como regular a temperatura corporal, proteger órgãos, formar a massa cerebral (lipoproteínas), etc.
Mas, quando em excesso, esta gordura passa a ser um lastro, um peso, uma fonte geradora e propagadora de toxicidades e dificuldades.
Para a minha idade e altura, meu peso deve se por volta de 65 quilos.
Tenho 83 kilos, ou seja, 18 kilos a mais. Esta gordura em excesso é movimentada 24 horas/dia sobre a estrutura óssea/muscular dos pés, joelhos, pernas e coluna. Uma demanda que exige mais do coração, fígado, rins, pulmões, etc. Para tal, todo o corpo sofre e precisa criar condições, em princípio desgastantes, para administrar todas as "desnecessidades" e dificuldades então geradas.
Quanto maior o excesso de gordura corporal e o tempo (anos) que este excesso permanece no corpo físico, maior o problema e as conseqüências por ele geradas.
Como Deus é maravilhoso e fala conosco de formas interessantes.
Eu estava lendo 2 Tss. 3 e me deparei com o verso 10 “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma”.
Ainda que nesta passagem Paulo esteja falando de sua atitude de não receber ajuda material da igreja, mesmo tendo direito a ela, o que me veio a mente é que aquele que só come e não trabalha, engorda. Ou melhor, se ele acumula mais calorias do que queima, engorda. Isso acontece na vida física e na vida espiritual também.
Todas os cristãos foram chamados por Deus para serem diferentes e fazerem diferença sendo líderes em seu contexto profissional, social, familiar e eclesiástico.
Muitos têm o condão (poder) de influenciar, de direcionar o pensar, o saber e o agir da geração da qual fazem parte. São os tão falados líderes, pessoas que atuam como guias na vida de outras e que se transformam em personagens marcantes durante o tempo em que vivem por aqui. Trazem consigo, por conseguinte, a capacidade de influenciar multidões e, inclusive, de pautar o viver dos contemporâneos no movediço plano da tomada de decisões. Para tanto, obrigatoriamente, precisam dar exemplo.
Todos nós conhecemos a história de líderes que construíram e de outros que desconstruíram na vida dos que aceitaram, para o bem ou para o mal, a sua influência.
Eli, personagem bíblico que viveu por volta do ano 1.050 a.C., foi também líder no seu tempo. Foi sumo sacerdote e juiz de Israel durante quarenta anos, além de mentor do profeta Samuel, a quem orientou e educou ainda jovem.
Do ponto de vista histórico, podemos realçar duas características em Eli, além do fato de ter atuado como sacerdote e juiz: era muito gordo e pai de dois filhos. Estes, Hofni e Finéias, apesar de ocuparem o cargo de sacerdotes do templo, portanto auxiliares do pai, eram conhecidos mais pela vida de devassidão que levavam do que o zelo que adotavam na atividade sacerdotal.
O estranho na vida de Eli é o fato dele ter se esmerado e colhido tanto êxito na educação e orientação sacerdotal que imprimiu à vida de Samuel, paralelamente ao desastre em que se constituiu o desempenho dos seus dois filhos.
Hofni e Finéias são o que se costuma nominar, em linguagem de hoje, de dois barras pesadas. Não temiam a Deus nem respeitavam os homens, comportamento evidenciado pela prática de imoralidades e de sacrilégios. Além do mais, para azedar mais ainda o currículo de Eli, ressalte-se que os dois eram sacerdotes do templo.
O que se retira da atuação de Eli como pai é que ele foi omisso e conivente com as bandalheiras dos filhos. Tal fato manchou o seu desempenho como líder de tal forma que acarretou uma série de desastres políticos e militares na vida da comunidade hebraica de então. Em vista disso, Eli passou à história como um líder marcado pela omissão e pela sonolência na administração dos assuntos pessoais, públicos e espirituais. Aliada à indolência, uma forte obesidade passou também a marcar o seu perfil.
Eli engordou – e muito. Entretanto, o que quero ressaltar, não é somente o fato da gordura física ter se atrelado à sua rotina de pai, juiz e sacerdote, mas também a evidência de que a obesidade carnal aconteceu paralelamente à gordura espiritual que o acometeu. Eli engordou de bênçãos, inclusive materiais, sem tê-las repassado para benefício dos seus e para benefício do povo.
Foi, digamos assim, um homem de poder. Tanto do secular como do espiritual. E que influência legou à sua geração? E que benefício seu viver acarretou na vida do povo que liderava?
O que se sabe é que, no seu tempo, Israel conheceu de perto a devassidão dos seus filhos e as derrotas no campo político e militar. Apesar de ter convivido com o poder e a fama, Eli tão somente engordou.
É o que acontece com as pessoas que apenas recebem – e que não repassam nada para benefício dos seus semelhantes. Eli foi uma liderança que se beneficiou do poder, do conhecimento, das amizades que colheu, do patrimônio que certamente amealhou...
E o que fez com tudo que recebeu? De proveitoso só se tem conhecimento da orientação que deu ao profeta Samuel. Em compensação, durante o seu mandato, Israel foi derrotado pelos filisteus, com a agravante de ter perdido, para os mesmos, a posse da Arca da Aliança.
É de muita responsabilidade a posição de liderança que o cristão tem em seu mundo. Pois o líder, por menos que queira, influencia, direciona, estabelece na vida dos outros.
Liderança, portanto, é uma posição para aqueles que almejam, sobretudo, servir.
Servir acima de tudo – pondo em segundo lugar seus próprios interesses.
É fácil? Não, não é.
Já o contrário disso é o líder que engorda, amealhando tudo em favor de si. Ganhando, se não a obesidade visível, física, carnal, a gordura moral, psicológica, espiritual.
E o fim de Eli? Como terminou seus dias o líder de Israel? Ao saber da derrota para os filisteus, da morte de seus filhos no campo de batalha – e da perda da Arca da Aliança – ficou tão chocado que caiu da cadeira, quebrou o pescoço e morreu.
Como se vê, no seu caso, o peso da obesidade, das duas, foi fatal. Por sinal, a quantas anda a sua “massa gordurosa”? Obesa, gorda, cheia de vantagens só para você?
Tudo isso acabou me ensinando uma preciosa lição. Temos livre acesso à Deus através de Jesus, que abriu por meio do seu sangue derramado e sacrifício na cruz, um caminho, um canal espiritual de comunicação com os céus.
Estamos por meio dEle, interligados. Sobem as nossas orações, a adoração, o louvor, as riquezas que lá podemos acumular através dos frutos e testemunho cristão. Descem as respostas, as bênçãos e consolações do Espírito.
O quem fazemos com tudo isso?
Somente acumulamos ou compartilhamos?
Como o sangue corre melhor por artérias desobstruídas, as bênçãos “fluem” melhor nas vidas daqueles que se doam.
Se o canal está limpo, no dia-a-dia da nossa caminhada e nos solenes momentos em que cultuamos a Deus, somos capazes de sentir a Sua presença de forma quase palpável, ouvir a sua doce voz falando, ensinando, corrigindo, orientando. Sentimos as coisas espirituais.
A gordura da “presunção” do sabe tudo, da “satisfação” do acomodado e da “monotonia” do enfastiado vai lento e imperceptivelmente bloqueando o canal. Quando damos conta, não sentimos mais a presença de Deus. Não ouvimos mais a sua doce voz. O coração fica endurecido. Os ouvidos e os olhos vendados para as coisas do Espírito.
Não temos mais prazer ou ansiedade de procurá-lo em oração. Não desejamos mais ler a Bíblia. E mesmo estando num ambiente espiritual, nos sentimos frios e apáticos. Este estado pode culminar num rompimento total, num afastamento, no abandono da fé.
É preciso não deixar o cano entupir. Não deixar a veia espiritual se obstruir e causar a má circulação do sangue de Cristo em nosso espírito, pois, isso, pode culminar numa fatídica morte.
Evite a gordura. Cuidado com o pecado, especialmente os “pequeninos”. Estes são mais comuns, e por serem mais aceitáveis, mais racionalizáveis, não lhe damos a devida atenção e cuidado. Mas são tão fatais quanto os “grandes” pecados.
É preciso cuidados preventivos como: Ser útil, fazer diferença. Abençoar outros, ser um líder que lidera ser uma bênção que abençoa!
Paz

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