5 de nov de 2010

PODE PEDIR!

Mc. 10:51 "E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista”.
Esta pergunta, nesta passagem, parece tratar de apenas mais uma, das muitas, curas que Jesus realizou enquanto esteve aqui. Mas, se pararmos para meditá-la, veremos quão profundas riquezas o Senhor tem para nós nesta pequena indagação.
Marcos e Mateus declaram que Jesus saia de Jericó, Lucas diz que ele entrava em Jericó. Simples. Havia duas cidades com o mesmo nome, uma ao lado da outra.
Mateus declara que haviam 2 cegos e os demais um. Simples. Apenas Bartimeu se destacou por isso os evangelistas Marcos e Lucas o citam.
O importante é notarmos que aquele homem estava fora da cidade, pedindo esmolas. À margem da vida, totalmente alheio do que acontecia na cidade. Era deixado de lado, esquecido. Muitos o ajudavam com dinheiro, mas não o ajudavam a sair daquele lugar. Na época de Jesus, os que tinham enfermidades eram vistos como amaldiçoados por Deus, por isso eram desprezados.
Ali, quando as pessoas entravam na cidade passavam por ele. Quantas pessoas já haviam passado pela vida daquele homem. Já eram comuns aos seus ouvidos os passos, a falação, o barulho das moedas caindo em seu favor. Mas, no dia em que Jesus passou, ele percebeu que algo diferente estava acontecendo.
Muitos de nós vivemos à margem da vida, da nossa própria vida, mendigando qualquer coisa que as pessoas quiserem nos dar (atenção, amor, respeito, diálogo…). Sentados do lado de fora, percebemos a vida passando por nós e corremos o risco de não vivê-la. É possível que Jesus tenha passado muitas vezes por nós, mas nossa cegueira não nos deixou ver e nossos ouvidos estavam ocupados de mais com outras coisas para ouvir sua voz.
Aquele homem percebeu algo diferente. Ainda não sabia que era Jesus. Mas, teve sua primeira atitude de fé: a curiosidade. A curiosidade de saber por que algo diferente estava acontecendo, fez com que ele saísse do seu lugar e perguntasse a alguém. E a resposta: “É Jesus!” animou de tal forma o coração daquele homem que não pensou duas vezes antes de começar a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. A esperança tomou conta dele. Sabia que Jesus era o único que podia tirá-lo daquele lugar e condição. Jesus era a promessa e aquele cego, deixado à beira do caminho, entendeu isso.
Era preciso, agora, parar Jesus e fazer com que Ele olhasse e o ajudasse. Gritar foi seu modo. E aquele homem contra tudo e contra todos que estavam a sua volta, tentando o calar, gritou. Gritou até que Jesus parou. O grito do desprezado, marginalizado, cego, mendigo... parou Jesus.
Não importa nossa condição. Jesus parou para o jovem rico, para o mestre da lei, e também parou para o pobre cego que estava à beira do caminho. Por que não ouviria, também, nossa voz? Se o clamarmos de coração, ultima e única esperança da nossa vida, Ele ouvirá e se voltará para nós.
Jesus parou. Ele ouviu o clamor do cego, mas não foi até ele. Jesus poderia ir até onde aquele homem estava, mas desejou que ele saísse do seu lugar. Ajudado por alguns que entenderam que o Reino de Deus é amor e inclusão, aquele homem se aproximou de Jesus e ouviu a pergunta mais esperada de sua vida: “Que queres que eu te faça?”
Durante seu tempo de beira de caminho, com certeza, muitas vezes ele ouviu essa pergunta, mas de uma forma como quem dissesse: “Que queres que eu te faça? Não posso ajudá-lo!” Mas, vinda de Jesus, essa pergunta se torna totalmente nova. Ele sabia que o Mestre falava a verdade e que realmente queira saber como ajudá-lo.
Jesus ouve nosso clamor. Pára e pergunta a nós: “O que queres que eu te faça?”
Quantas coisas se passam em nossas mentes?
Quantos desejos temos?
Quantos sonhos?
Quantas coisas e problemas pra resolver?
Com certeza, tudo isso se passou na mente e coração daquele homem. Poderia pedir dinheiro, riqueza, para que pudesse sair daquele lugar, poderia pedir que as pessoas o amassem que sua família o respeitasse e o recebesse. Muitas coisas.
Mas ele pediu: “Senhor, que eu veja!”. Imaginem as conseqüências desse pedido.
Curado, teria que sair da beira do caminho, não poderia mais mendigar, pois teria condições de trabalhar e assumir a própria vida. Assumir a própria vida.
Conseqüência da cura: ter a responsabilidade de viver. Por isso, Jesus pergunta, quer saber se realmente aquele homem, e nós hoje, queremos receber a cura e, com ela, a responsabilidade de viver.
Muitas pessoas se afastam de Jesus, por que Ele é um Deus que traz a vida, mas que dá a nós a responsabilidade de vivê-la. Muitos já não sabem viver por si só, precisam que as pessoas lhe indiquem o caminho, o sustentem, cuidem de todas as coisas. Mas o nosso Deus não é muleta, nem secretário. Ele cura-nos para que saiamos da condição cômoda e assumamos nossa vida.
Lembro de Jr. 45:5 Procuras tu grandezas? Não as procures; porque eis que trarei mal sobre toda carne, diz o Senhor; a ti, porém, eu te darei a tua vida como despojo, em todo lugar para onde fores
Das cerca de 32.000 promessas na Bíblia quero enfatizar esta.
Esta promessa é para lugares e situações difíceis. Uma promessa de segurança e vida no meio de fortíssima pressão: uma vida "como despojo". Isto pode bem ajustar-se aos nossos tempos, que estão ficando cada vez mais difíceis à medida que nos aproximamos do fim.
Que significa a "vida como despojo?" Significa uma vida arrancada das garras do destruidor, como Davi arrebatou do leão o cordeirinho. Significa, não o sermos retirados do ruído da batalha e da presença dos inimigos; significa, sim, uma mesa no meio dos inimigos, um abrigo no temporal, uma fortaleza entre os adversá¬rios, uma vida preservada no meio de contínua pressão: a preservação de Paulo quando agravado além das forças, ao ponto de perder esperança até da vida; o socorro divino a Paulo — quando o espinho na carne permaneceu, mas o poder de Cristo repousou sobre ele e a graça de Cristo lhe foi suficiente.
Nosso desejo, nossa oração, deve ser: “Senhor, dá-me a minha vida por despojo”, e hoje, nos lugares mais difíceis, leva-me em vitória.
Muitas vezes oramos para sermos livres de calamidades; e até cremos que o seremos. Mas não oramos quanto ao nosso comportamento na própria presença das calamidades; viver no meio delas, enquanto durarem, na consciência de que estamos seguros e abrigados pelo Senhor; e de que poderemos, assim, permanecer no meio delas enquanto continuarem, sem que nos façam mal.
Por quarenta dias e quarenta noites o Salvador foi guardado ante a presença de Satanás no deserto, e isso, sob circunstâncias de grande provação, uma vez que Sua natureza humana estava enfraquecida pela falta de alimento e descanso.
A fornalha estava aquecida sete vezes mais do que o comum, mas os três hebreus foram guardados no meio das chamas, tão calmos e bem postos como quando na presença do próprio rei antes que lhes viesse a libertação.
A longa noite de Daniel foi assentar-se ele entre os leões. E quando foi retirado da cova, "nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus". Eles habitaram ante a face do inimigo, porque habitavam na presença de Deus.
Bartimeu pediu e recebeu, pode pedir, mas peça direito!

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